Por que os juros são importantes para a economia?

Os juros são velhos conhecidos dos brasileiros, mas nem todos sabem identificá-los ou classificá-los. Há diversas formas de explicar o que são juros. Para pessoas físicas, os juros falam diretamente sobre poder de consumo em um determinado período. 
Todos nós sabemos (mesmo se não conseguimos explicar) que o valor do dinheiro depende diretamente do tempo. É pouco provável que com os mesmos 100 reais de hoje seja possível consumir, exatamente, as mesmas coisas que consumíamos há algum tempo.
Nesse sentido, é intuitivo imaginar que, ao tomar um empréstimo, a instituição financeira cobre um valor maior do que o emprestado. Do outro lado da história, quando você tem recursos suficientes para consumir e ainda sobra alguma coisa para poupar, é provável que você deseje receber todo o valor de volta com alguma recompensa pelo tempo em que não teve os recursos para gastar.
Essa diferença entre o valor do dinheiro em momentos distintos do tempo é conhecida como juros. E, resumidamente, a taxa de juros é o quanto este valor representa do total tomado ou aplicado.

Entendendo a famosa taxa Selic

Com esta breve explicação fica um pouco mais fácil compreender o que é, por exemplo, a taxa Selic. No Brasil, existe um Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), gerido pelo Banco Central do Brasil (BC). A cada 45 dias a diretoria do BC se reúne no Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a meta para a taxa deste sistema para o período dos próximos 45 dias.
O principal objetivo do estabelecimento desta taxa (Selic meta) é alterar as decisões de consumo (de acordo com exemplo dado anteriormente) para, deste modo, levar a inflação à meta pré-estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Se neste intervalo entre as reuniões, a diretoria do BC considerar que há risco de o nível geral de preços acelerar a ponto de comprometer a meta de inflação, geralmente, a decisão é de subir a Selic meta. Por outro lado, se a conclusão for de baixo ou nenhum risco do não cumprimento da meta, ou mesmo do seu descumprimento para além do permitido pelo CMN (como possivelmente será o caso neste ano) a decisão é, geralmente, de baixar a Selic meta. 
O Brasil é um país com histórico de juros altos. De 1999 a 2020, a Selic meta encerrou acima dos 10% ao ano em praticamente 70% do período. No final de 2002 ela foi chamada “taxa mãe” da economia e, de fato, merecia este nome, pois remunerava os ativos de renda fixa a 25% ao ano!
Em contrapartida, penalizava igualmente qualquer decisão de investimento na economia real; seja naquela época ou agora, é pouco provável que você encontre alguma aplicação financeira com rendimento desta magnitude com um tipo de risco equivalente.
Em termos comparativos, a taxa Selic meta atual é de apenas 3% ao ano; e com grande chance de chegar a 2,25% na reunião dos próximos dias 09/06 e 10/06. Para ficar mais fácil a comparação entre as taxas, os mesmos R$ 100,00 aplicados a 25% e 2,25% ao ano, durante 24 anos, renderiam R$ 21.175,82 e R$ 170,58, respectivamente. Uma diferença nominal de R$ 21.005,25!

Nem tudo é o que parece

Apesar de parecer desejável uma taxa que proporcione um rendimento desta grandeza, juros muito altos (e muito baixos) dão sinais negativos sobre a economia. A necessidade de estabelecer a taxa básica de juros em um patamar muito elevado implica em inflação fora de controle, o que é um grande problema, principalmente, para indivíduos e para empresas com menor nível de renda/faturamento. 
Além disso, taxas excessivamente baixas geralmente sinalizam períodos de recessão e/ou dificuldade de crescimento econômico. Não é à toa que o Brasil tem atualmente, e continuará tendo por um longo período, a menor taxa de juros da sua história. Portanto, é possível inferir mesmo de forma abstrata, que existe um nível “ideal” de juros, em que a inflação converge para a meta e a economia cresce em seu potencial.
Essa taxa ideal é conhecida em Economia como taxa de juros estrutural ou de equilíbrio, é também um balizador para as decisões dos Bancos Centrais. Mas este é um tema para um próximo post. 
Em termos mais práticos, por ser a taxa de referência para a maioria das aplicações financeiras, quanto menor a Selic, menos atrativas elas ficam. Em contrapartida, o crédito pode ficar mais barato caso a Selic meta permaneça baixa por períodos mais longos.
No fim das contas, a despeito do nome e/ou sigla que se dê para os juros (Selic, CDI, TR, TLP, etc), eles são, simplesmente, parâmetros para decisões de consumo (de renda, no caso de pessoas físicas e de capital próprio para as empresas). 


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