Investimento: aversão ao risco e à perda

Imagine a seguinte situação: você acaba de ter a chance de ganhar R$ 1.000,00! Mas, para isso você precisa fazer uma escolha entre duas opões:  
i. Embolsar os R$ 900,00 e ir embora; ou
ii. Fazer uma aposta com 90% de chance de ganhar R$ 1.000,00;
Outra oportunidade! Você prefere: 
i. Embolsar os R$ 900,00 e ir embora; ou
ii. Fazer uma aposta com 10% de chance de perder R$ 100,00 (saindo com R$ 800,00 ou R$ 1.000,00 caso vença);
É muito provável que você escolha a segunda opção. Mesmo que, na primeira, a chance de ganhar os R$ 1.000,00 seja de 90% e, em ambos os casos, a probabilidade de perda seja de 10% e o valor da perda os mesmos R$ 100,00.
Este simples exemplo tem origem no trabalho do psicólogo israelense Daniel Khaneman, vencedor do Prêmio Nobel em Economia de 2002, e serve para demonstrar o comportamento do ser humano em relação ao risco.
Os pesquisadores constataram que o impacto de uma perda é, aproximadamente, duas vezes maior que a satisfação de ganhar; o que ajuda a explicar o fato de muitas pessoas se sentirem “paralisadas” em situações nas quais precisam tomar alguma decisão importante. 
Nas decisões relacionadas aos investimentos este comportamento é bastante presente, e demonstra o porquê de tantas pessoas acabarem aplicando seus recursos em títulos de renda fixa com baixíssimo rendimento ao invés de se arriscarem em algum empreendimento e/ou na bolsa de valores, por exemplo.
Na prática, elas são muito mais propensas, em média, a deixar de perder do que têm, de fato, vontade de ganhar. Naturalmente, a falta de conhecimento sobre os produtos e/ou os mercados também é um fator relevante para a escolha clássica entre risco e retorno. E mesmo em produtos exclusivamente de renda fixa, a falta de conhecimento pode levá-las à perda (para a inflação, por exemplo; mas isso é assunto para outro post).
Esse complexo momento da economia mundial acabou sendo revelador do quanto, realmente, as pessoas estavam dispostas a correr riscos. Naturalmente, em mercados onde as chances de perder são pequenas, como pensavam muitas pessoas antes desta crise, inclusive sobre o mercado de ações, acabou levando muitos a uma maior exposição ao risco.
É claro que, as perdas foram generalizadas; e até investidores altamente qualificados perderam. Mas, mesmo em situações atuais, é possível avaliar uma “boa exposição” ao risco, ainda que diante de eventos inesperados. 
A crise atual ensinou, na prática, a importância da diminuição da exposição ao risco pela diversificação dos investimentos (outro tema que falaremos em um post específico). Mesmo que tudo pareça estar correndo bem e que dê a impressão de que nunca dará errado – como era o pensamento de muitos poucos meses atrás – é preciso ter algum grau de cautela.
Na prática, tão importante como ter cuidado com os seus gastos é ter com os seus ganhos. Afinal, não é nada bom perder todo o seu esforço do dia a dia em uma “aposta malsucedida”. É em momentos de crise que a boa e velha renda fixa demonstra seu valor e importância em qualquer carteira. 
Se expor a riscos faz parte da vida, e é relativamente inevitável. Mas, de modo geral, é muito melhor correr os riscos que você sabe ser capaz de arriscar.
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