Educação financeira infantil. Como conversar com seus filhos?

Não é um hábito do brasileiro falar sobre educação financeira de modo geral, é comum adultos perceberem que justamente a falta de conhecimento nessa área, gera uma situação complexa nas finanças pessoais e de suas famílias, e que às vezes precisam de muito esforço para solucioná-la.
Os números mostram isso, quer ver?
Em 2019, segundo o Serasa, o Brasil chegou à marca de mais de 63 milhões de consumidores inadimplentes, isso significa que 40% da população adulta está endividada. Este número é assustador e o cenário pode não ser promissor para a maioria dos brasileiros.
Mas você já se perguntou os motivos desse número estar em constante crescimento?
Claro que desigualdade social, políticas que visem uma melhor distribuição de renda, desemprego e muitos outros fatores econômicos são relevantes, mas será que a falta de educação financeira na infância, em que sabemos ser uma das fases de mais importância para o aprendizado, também contribui para esse número expressivo?  Será que se desde cedo a criança aprender sobre finanças, esses números poderiam estar menos alarmantes?
Para garantir isso é preciso incentivar a educação financeira infantil pelos pais e educadores, e a importância de entenderem sobre os recursos escassos, pensando nisso, listamos abaixo alguns comportamentos que devem ser evitados para com as crianças, e também algumas brincadeiras e maneiras lúdicas de falar sobre esse assunto com os pequenos.

6 Comportamentos para ajudar na educação financeira infantil

A fase infantil é o período de formação de personalidade e todos sabem que nessa etapa da vida a relação com os pais ou responsáveis é um fator decisivo da maneira em que a criança vai encarar a vida.
Existem alguns comportamentos que os pais, muitas vezes, não percebem ser impactantes sobre a educação financeira para as crianças, afinal quando falamos neste termo: economia, estamos nos referindo a todo e qualquer recurso que pode acabar.
1 - Saber dizer não e conversar com seu filho.
Sua filha quer um brinquedo novo, seu filho quer comprar um álbum de figurinhas, ou apenas querem comprar doces, e naturalmente você quer satisfazer a vontade deles, mas saiba, se você disser não e explicar os motivos dessa negativa, você já está preparando seu filho para lidar com a frustração.
2 - Levar as crianças desde muito cedo em supermercados e centros de compras é natural, desde que você não demonstre para a criança que lá é o lugar de sempre ganhar algum mimo. Leve a criança e não a estimule para o consumo nesses lugares, ela vai começar a entender que o momento é de compra por necessidade e não por impulso.
3 – Evite expor a criança em canais de tv abertos, visto ser muito comum o número de propagandas com brinquedos. Isso também vai ajudar seu filho a não ter impulsos de compras desnecessárias.
4 - Manter a criança em contato com outras crianças da mesma idade, e demonstrar a necessidade de dividir o brinquedo com os coleguinhas, isso contribuirá para sua filha e seu filho entenderem a necessidade de compartilhar.
5 - A ideia da semanada é muito bem vinda, não importando o valor. Faça com o seu limite, se o máximo que você pode dar de semanada é R$ 2,00, que assim seja. O importante é a criança aprender a lidar com o fator do tempo. O quanto ela tem pelo período da semanada, isso já vai mostrando para ela que ganhar o dinheiro é árduo e que ela precisará ter controle e prioridades.
6 - Falar de forma negativa sobre o dinheiro para o seu filho, pode inconscientemente, tornar este assunto algo inatingível. É muito comum os pais repetirem alguns conceitos que a sociedade impôs, do tipo:
  • “Só quem nasce em berço de ouro é que tem possibilidade de poupar”;
  • “Dinheiro é sujo”;
  • “O mundo é capitalista, você não precisa de dinheiro”;
  • “Dinheiro não traz felicidade”;
entre muitos outros... Estimule seu filho a pensar sobre o dinheiro e não a repelir o dinheiro.

4 Jogos e brincadeiras para a educação financeira infantil

Jogo número 1 - Latinhas dos desejos

Você vai precisar de 3 latinhas de leite em pó, embaladas cada uma de uma cor diferente. Escreva 3 plaquinhas de acordo com os desejos da sua filha ou filho, por exemplo:
  • Um tênis novo
  • Um Vídeo game
  • Uma Mochila
E cole cada plaquinha em uma latinha diferente.
A partir daí comece a falar e mostrar para a criança que a semanada dele e até dinheirinho extra que ele ganhe (como presentes, ou troco de alguma coisa), pode ser colocado dentro de cada latinha.
Ele vai perceber que se colocar o dinheiro todo em uma única lata, ele não estará dividindo bem o dinheiro. Também vai começar a entender o conceito de poupar para ter. E além disso passará a ter visibilidade do que deseja, ter foco e correr atrás do que mais quer.
Dica: Incentive dando em alguns momentos trocos e moedas, isso ajudará a manter o foco.
Mas tenha cuidado, não estimule seu filho a fazer a obrigação dele ganhando algum dinheirinho, por exemplo, estudar, ir bem na escola, arrumar a cama, são obrigações de toda criança, ele não deve ganhar um bônus por sua obrigação.

Jogo número 2 – Game: Não gosto, mas eu Ganho

A ideia consiste em transformar algo ruim de se fazer em algo que tem recompensa ao realizar, de novo, não estimule através das obrigações básicas ok? Você pode combinar o jogo antes.
Exemplo:
Arrumar a cama e ir bem na escola, como dito acima, são obrigações, logo não ganhará nada caso cumpra essas demandas.
Mas ajudar a mãe a tirar pó, ou ajudar o pai a lavar carro, podem ser consideradas atividades extra, que para a criança pode ser algo chato, mas se tiver uma recompensa no final, talvez ele até se divirta fazendo isso.
Dica: Junte esse game com a ideia das latinhas dos desejos, assim, você ainda ajudará a criança a alcançar os objetivos.

Jogo Número 3 – Filha eu preciso do seu dinheiro.

Esse jogo tem como objetivo começar a dar ideia para os filhos sobre os juros, claro de uma maneira lúdica e sem muita complexidade.
Como fazer: Ao perceber que seu filho já está com um determinado valor guardado nas latinhas (ou cofrinhos), chegue nele e diz que você está precisando daquele valor para uma determinada compra, mas que você devolverá em um prazo estipulado (15 dias por exemplo), acrescidos de juros.
Exemplo:
Você pega R$ 30,00 do seu filho, e após 15 dias, você devolve R$ 45,00. Um acréscimo de 50% do valor que você pegou.
Seu filho ficará feliz em te ajudar e ainda começa a entender que é possível fazer o próprio dinheiro render com os juros.

Jogo Número 4 – Você quer? Você compra.

A ideia é durante as idas ao mercado ou até mesmo em feiras-livre, dar ao seu filho, um valor baixo, por exemplo R$ 5,00 ou R$ 10,00. E dizer a ele:
1 – O troco será seu
2 – O que você quiser aqui dentro do mercado, você vai pagar com esse dinheiro que está na sua mão.
3 – Ele vai pegar a fila do caixa e ele vai pagar ao caixa.
Isso vai mostrar para o seu filho a importância de ter prioridades, e também a fazer escolhas, do tipo: quero o troco para realizar meus desejos? Prefiro levar um chocolate ou um brinquedo? E assim por diante. 
Enfim, você pode criar com seus filhos e entre a sua família outras possibilidades de incentivar a educação financeira infantil, cada família tem sua estrutura, e o importante não é o valor ser alto, o importante é a consciência financeira. Tenha certeza, atitudes como essas ajudarão seu filho na fase adulta e darão para eles melhores oportunidades de lidar com o dinheiro.

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